Archive for Setembro 2008
# primeiras rugas
Reparo agora (enfim!) que as primeiras rugas começam a fazer-se notar e a aparecer nas fotos. Só não sabia que me iam fazer estremecer, afinal, e ao contrário do que sempre pensei. Tanto eu desejei estas rugas! Tanto que as imploro desde criança, firme neste projecto de me tornar um dia uma velha sulcada a rugas, criação literária mais completa e perfeita a que se pode aspirar, essa de trazer impressa na pele um livro aberto com a vida escrita, parágrafo por parágrafo, aos olhos de todos. Até dos analfabetos. E, todavia, agora que começo a não ter como não as perceber, um medo fininho pica dentro de mim devagar e embaraçado. Acho que é por medo de traçarem bem diante dos meus olhos a linha de todo o tempo, de todos os anos, dias e noites que desperdiçamos (ainda desperdiçamos!)… Medo que, se o dia em que vieres chegar a chegar como sempre repetias, já não me reconheças… que não mais reconheças em mim a “tua menina” se acaso a vida nos voltar a colocar frente a frente e me olhares como me prometeteste que farias sempre, antes – quem sabe?! – de te dares conta de que o tempo afinal também passa por cima dos mitos. Mesmo dos que nos são mais caros. Igualzinho ao que faz com os amantes.