Archive for Novembro 2008
# ponto de fuga
Havia um sueste brando, uma costela partida, talvez uma maçã de adão por trincar. Havia uma sina moura, um degredo de fado e uma lasca em farpa que não deixou espinho à carne. Mas, então, levantou-se do fundo da eira uma poeira fina, a avançar contra o olho como uma serpentina. Veio vindo sem mais alarde que o dos pássaros ao largo e trouxe com ela uma névoa embriagada. Um manto. Uma capa na esguelha da asa. Uma foligem rala. E, aos poucos, ficou só uma preguiça – injusta, é provável; ainda assim uma preguiça. Qualquer coisa mal quista mas que, todavia, pareceu ainda mais doce do que o acaso de dois braços selados em redor.