Pek’s sketchbook

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Archive for the ‘Testamento’ Category

# mensagem de parabéns

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Morde coisas à saliva que não gasto, que é para ver se me importo e faz diferença, que é para ver se ainda me lembro do que fui. Quando tu ainda eras tu e eu menos outra do que agora.

Escrito por Maggie C.

Agosto 22, 2009 em 10:41 am

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# optimismo

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Algures entre mim e ti há, ainda hoje, um fio de cimitarra a fender ao chão a mesma avisada linha que nos poupou, senão o coração, pelo menos a vida e o que restava do juízo.

Escrito por Maggie C.

Abril 22, 2009 em 1:33 am

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# tudo muda, só não muda quem morreu

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Eu rio alto porque sei que, afinal, tu que crês tudo saber hoje já não sabes nada nem coisa nenhuma. Rio alto, ainda mais alto, imaginando-te a comprar o desafio da esfínge, segura (sempre tão certa e segura!) de ter bem presa entre as mãos a chave de todos enigmas e a falhares redonda a resposta mais improvável. Alto, te digo, vou eu rindo aqui. Por saber que perderias todos os dedos da mão esquerda, depois de, um a um, empenhares os da direita. Quem haveria de dizer, Meu Amor, que o café me agonia e acordo antes dos pardais?!

Escrito por Maggie C.

Janeiro 6, 2009 em 2:05 am

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# primeiras rugas

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Reparo agora (enfim!) que as primeiras rugas começam a fazer-se notar e a aparecer nas fotos. Só não sabia que me iam fazer estremecer, afinal, e ao contrário do que sempre pensei. Tanto eu desejei estas rugas! Tanto que as imploro desde criança, firme neste projecto de me tornar um dia uma velha sulcada a rugas, criação literária mais completa e perfeita a que se pode aspirar, essa de trazer impressa na pele um livro aberto com a vida escrita, parágrafo por parágrafo, aos olhos de todos. Até dos analfabetos. E, todavia, agora que começo a não ter como não as perceber, um medo fininho pica dentro de mim devagar e embaraçado. Acho que é por medo de traçarem bem diante dos meus olhos a linha de todo o tempo, de todos os anos, dias e noites que desperdiçamos (ainda desperdiçamos!)… Medo que, se o dia em que vieres chegar a chegar como sempre repetias, já não me reconheças… que não mais reconheças em mim a “tua menina” se acaso a vida nos voltar a colocar frente a frente e me olhares como me prometeteste que farias sempre, antes – quem sabe?! – de te dares conta de que o tempo afinal também passa por cima dos mitos. Mesmo dos que nos são mais caros. Igualzinho ao que faz com os amantes.

Escrito por Maggie C.

Setembro 1, 2008 em 11:33 pm

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# lampejos de relance

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Sim, eu podia chamar-te. Só um palavra, um telefonema, um telegrama ou uma mensagem e aposto que virias, sim. Para o meio das minhas pernas, para o centro dos meus braços. Porque nunca seria por mais do que por meia dúzia de noites mal contadas. Porque nunca haveria de ser, como bem sabes, com aquela vontade de que fosse para toda a vida, “mesmo que por um dia”. Como antigamente. E é por isso que nem mexo um dedo. Assim já não sei gostar de ti e por mais que me esforce não te preciso o suficiente para aprender a gostar.

(…)

Fica pois onde estás, que assim como assim sempre vou preferindo as minhas paixões tangíveis, que eu nasci sob o signo do fogo e a vida procura-me e acha-me mesmo fazendo eu tão pouco para a encontrar.

Escrito por Maggie C.

Agosto 31, 2008 em 11:51 pm

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# maternidade

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Salva-me, Querida, deste estúpido desejo de também eu voltar a querer ter outro filho, um família, ser normal como eles e ter sempre uma luz acesa dentro de casa. É uma idade perigosa, esta. Um limiar de ‘agora-ou-nunca’, capaz de me fazer fazer um qualquer disparate sem volta que, vistas bem as coisas só sirva para ainda me afastar mais de ti e nos fazer bem mais impossíveis do que já somos. Eternamente adiadas. Por mais tempo do que este que já há tanto nos dura sem que se aviste fim ou encontro!…

Escrito por Maggie C.

Agosto 29, 2008 em 8:44 pm

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# ‘marinha’

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Estive na nossa praia, Meu Amor. Estive e já não queria crer que algum dia aqui fui tão feliz e também tanto chorei e sofri, até ao limite dos humanos intoleráveis. Porque hoje, tu queres crer, tentei e já nem sequer conseguia recordar-me de mais do que da cor do teu fato-de-banho, que acho que era encarnado. Achas possível??

Vês? Estou a perder a memória e a culpa é toda tua. Só tua! Inteirinha tua. Porque te demoras tanto que, mais um pouco, e eu já nem saberei com exactidão que contornos tinha o teu rosto quando olhava e amava mais do que a mim mesma.

Escrito por Maggie C.

Agosto 28, 2008 em 11:36 pm

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# second chance

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A vida voltou a colocar-te de frente para mim só para, finalmente, eu te poder dizer o adeus que nem tive tempo de te dizer quando o sangue me ferveu.

Escrito por Maggie C.

Julho 28, 2008 em 1:50 pm

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# por presenciar

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Mais um momento histórico na minha vida que tu perdeste. E de ser sempre tão assim, de nunca estares comigo quando as coisas importantes acontecem, é que eu sei que me perdeste para sempre, mesmo que eu não me convença e tu não saibas.

Escrito por Maggie C.

Julho 11, 2008 em 7:56 pm

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# (des)engano

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Em vez de andares para aí a ver se descobres se queres ou se deixaste de querer, era bem melhor que te ocupasses a descobrir uma maneira de me fazeres voltar a apaixonar por ti outra vez!…
Mas isto sou só eu a pensar com os meus botões, claro está. Deus me livre de te dizer alguma coisa, que se os conselhos fossem bons não se davam: vendiam-se.

Escrito por Maggie C.

Julho 9, 2008 em 10:19 pm

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