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Ia só dizer que em tempos houve, sim, um sapo na minha vida. Mas o sapo que houve na minha vida sempre foi rei. Príncipe, nunca. Portanto, príncipe nunca tive nenhum. Assim sendo, presumo que o presente-surpresa não se destinasse a mim. Suponho que me tenha chegado às mãos por mero engano.
Seja como for, e porque tenho esta coisa de não conseguir aceitar como meu o que sei não me ser destinado ou pertencer, fiz o que pude para reparar o erro. Respirei fundo e, inclusivamente, quebrei os votos de não importunar os fantasmas e deixar que descansem em paz. Falei com o único que conheço e perguntei-lhe se sabia alguma coisa a respeito. Não dizem que as almas do outro mundo sabem mais do que nós?! Pois então. Mas, no caso, não sabia. Pedi, pois, desculpa pelo incómodo, senti-me idiota e ri-me de mim mesma: como se os mortos soubessem alguma coisa do que acontece cá em baixo, onde anda a vida!…
Infelizmente, portanto, como não sei quem se enganou não posso alertar para o engano. Lamento, mas não creio que haja mesmo nada que esteja ao meu alcance fazer para desfazer o equívoco.